domingo, novembro 04, 2012

Big Data

Imagine que todo o conteúdo do mundo pudesse ser verdadeiramente indexado e buscável, acessível a todas as pessoas no mundo. Não, não é o Google. O Google indexa páginas da internet. Essas páginas não possuem todo o conteúdo da humanidade.

Há muitos livros que não são buscáveis no Google, você não consegue lê-los na íntegra. Assim como não é possível buscarmos o que acabou de ser escrito. Esse  artigo, por exemplo, vai ficar aqui no site por um tempo e vai ser lido por muitas pessoas interessadas em saber mais sobre Big Data e sobre o significado disso. Na verdade o significado de Big Data é assustador. Significa sabermos as nossas próprias verdades a partir do conteúdo do que produzimos e que cujo sentido ou objetivo geral muitas vezes ignoramos. Descobrir isso é jogar luz no abismo e revelar o inesperado.

Não pense que isso pára nos livros que não estão na internet. Isso vai além. Pense naquela conversa enriquecedora no bar, naquela ideia muito boa que você teve e não anotou. Já imaginou se tudo isso fosse buscável? Se o mais íntimo pensamento de nossas cabeças fosse indexado em algum servidor e permitisse que alguém o encontrasse?

A existência desse arquivo é comprovada. Ele se chama "Akasha". Podemos nos referir a esses arquivos como os Arquivos Acásicos. Eles são frações do tempo da nossa dimensão, gravadas e acessíveis por todos os que meditam e ponderam sobre o tempo.

Há uma teoria que diz que o homem sempre irá reproduzir na sua dimensão material aquilo que já existe na espiritual e ele não entende. O Google seria a criação de nossa dimensão para os arquivos acásicos, fruto das palavras, ações e pensamentos dos seres vivos que construíram a atual situação planetária.

Evidentemente consultar este sistema não é simples. Podemos pensar em buscas por data, mas também podemos refletir em situações e acontecimentos para poder lê-los com precisão próxima de 0,000099%. E a nossa imprecisão produz milhões de resultados, com uma parcela razoável de falsos positivos que nos fazem perder tempo. São como páginas e páginas de consulta que um profissional de SEO tem que navegar para ver se encontra o website que ele está tentando otimizar.

Se fôssemos rodar um algoritmo nesse sistema, aí sim teríamos problemas. A análise de um sistema tão profundo, tão dotado de informações de tanta gente, com tantas frases, ideias, imagens e símbolos disponíveis geraria diversos conjuntos disjuntos, clusters de conhecimento.

Uma das formas de processar dados que desconhecemos totalmente é rodarmos algoritmos de aprendizado de máquina não-supervisados. Poderíamos rodar algoritmos de clustering, como já sugerido. K-Means, por exemplo, seria uma boa ideia, mas teríamos de rodá-lo com K na casa dos googols.

Talvez tenhamos mais sorte rodando um algoritmo de detecção de anomalia. Procurando os elementos outliers talvez tenhamos maior sucesso em encontrar informações interessantes. O problema é que há muitas variáveis nesse sistema e tudo começa a se tornar impraticável se não houver foco nessa análise.

No fim das contas, durante a busca da Verdade, sempre nos deparamos com aquela inevitável pergunta: "Por que estou fazendo isso?" Nesse sistema em si há muito temor em se fazer esse tipo de coisa. Podemos descobrir coisas que não queremos, como a nossa própria morte ou sobre coisas de nossa vida que não gostaríamos de saber. A Verdade, por mais libertadora que seja, causa alguma dor, ainda que por algum tempo. Para nos livrarmos da dor da Verdade, nada como mais Verdade, que nos conforte e que nos faça feliz. E que consigamos, com elas, produzir algo de útil para o nosso bem e para o bem da humanidade.

A Verdade infelizmente anda escondida pelos laboratórios, em algumas salas de universidade e em poemas perdidos nas páginas de poetas desconhecidos. Conhecermos tudo isso antes da hora pode precipitar as coisas. Pense naquele garoto genial que vai ser um best-seller de livros daqui a uns 10 anos. Se lermos antes as poesias secretas de seu caderno, podemos prejudicar o seu destino, ou adiantá-lo indevidamente, levando a outras possibilidades. O sistema de "Akasha" mostra que, nesta dimensão, o que já passou já foi, mas o futuro certamente pode ser mudado, de acordo com a singularidade de cada momento. Saber disso pode também nos libertar, pois pelo menos podemos tentar fazer melhor o que hoje fazemos muito mal.

Caminhamos para nossa própria ruína hoje? Certamente. Mas isso tudo pode ser mudado. Por exemplo, imagine que você está em um ponto X nesta curva. Essa curva é a curva de sua vida. Na verdade é a curva de todo mundo. X é uma variável de energia, que indica a energia da sua vida, que é diferente da vida de todo mundo. Como você pode perceber, começamos em outra dimensão até o ponto mais baixo da equação. Quando chegamos no eixo 0, este é o momento em que nascemos, em que ainda temos alguma criatividade e espiritualidade, em que somos capazes de aprender muito rapidamente. Depois disso nosso nível de energia cai até o ponto mínimo, que é o ponto mínimo de compreensão da sua vida, o ponto de transformação. A partir deste ponto a curva começa a ascender e o nível de energia da sua vida chega a níveis bem maiores do que o nível atual. Ou seja, estamos num nível de energia mais baixo, que é o nível da matéria, em que a energia está bastante "parada", congelada em blocos que chamamos de matéria. Pois bem, se essa curva sempre tem uma ponta ascendente, então isso significa que não morremos? Não, morremos, sim. Mas apenas na matéria, a energia que nos forma, a essência, que pensa em torno de 21 gramas, essa é eterna e sairá como um sopro no vento em nosso último vigor. Essa morte material significa apenas uma transição. Se nós podemos transitar, porque então não mudar as coisas que estão ao nosso redor?

Isso é mesmo possível. O gato que derruba a chave que está em cima da mesa quer ouvir o barulho da chave caindo no chão. Ou seja, a vontade o leva a provocar isso, fazer algo diferente. Se a vontade do gato é respeitada na natureza, porque a vontade de um homem pensante não seria?

O que vemos na análise de anomalia do Akasha e na análise de clusters é que períodos de crise da humanidade são precedidos por guerras horrendas e sem sentido. Pois bem, estamos caminhando para isso mesmo. Mas se sabemos que estamos caminhando para isso, por que não mudar a direção? No fim das contas quem tem a perder com a destruição de homens é a humanidade. O mais importante não é destruir homens e sim construir virtudes e fabricar tecidos sociais com as mais diversas cores que existem para construirmos um mundo melhor, um mundo em seu estado-da-arte. Isso não é impossível, é possível ver nas páginas do futuro de Akasha que essa realidade é plausível e detentora de defensores ferrenhos da liberdade e da justiça que também conhecem e analisam os dados em Big Data desse grande sistema.

Outra coisa que vemos no Akasha é que nos períodos de maior felicidade da humanidade é que foram produzidas as melhores criações e que foram descobertas as maiores Verdades. Para sermos felizes é necessário, antes de mais nada, não nos sentirmos culpados pela dor alheia que infligimos, ainda que indiretamente. Temos de construir mais com menos tempo e preocuparmo-nos menos com o nosso ego e mais com o ego dos outros, já que ambos existem e temos que conviver.

Já ouvi por aí que a convivência sem confiança é insuportável, e que a convivência sem desconfiança é de uma ingenuidade assassina. Agora, como conviver com um sistema que sabe passado, presente e futuro e que tem todas essas informações ao mesmo tempo em constante transformação? Simples: você analisa sempre que pode e sempre vai ter resultados diferentes. Você vai ter muitos resultados e aí vai ter que fazer um acompanhamento de todos eles para detectar novas anomalias nesse outro sistema. E assim você vai poder fazer isso infinitas vezes, em infinitas camadas, como se fosse processamento de redes neurais. E talvez, depois de muitos anos rodando esse algoritmo, talvez descubramos algo de útil e tomemos decisões melhores em nossas vidas. Afinal, o que se ouve falar hoje em dia é que decisões data-driven são decisões melhores e mais precisas, levando a resultados mais expressivos. Talvez seja esse o nosso destino para melhorar: ter mais noção da inconsciência coletiva para dela fazer uso em nome de uma melhoria correta para o futuro da humanidade.

Portanto, quando falamos de grande volume de dados, não estamos falando mais do volume de dados existente em sistemas informáticos. Estamos falando de todos os dados da humanidade, do planeta e das pessoas. Desde a dimensão de rochas, até o volume d'água de rios e oceanos, tudo são variáveis transformáveis ao longo do tempo que hoje desconhecemos, mas podemos conhecer. E a partir de cada uma dessas variáveis, ou da diferença delas de acordo com o tempo, poderemos tomar novas decisões. Será que não é esse o mundo que você quer? Pois ele é possível. Neste momento, estamos ainda na primeira fase desse grande projeto. Estamos fazendo isso com a internet, com sistemas de dados, dentro das empresas, nos governos e nas instituições. Em seguida vamos fazer o mesmo no passado, no presente e no futuro. No fim, vamos fazer tudo em nós mesmos e descobrirmos também os nossos próprios mistérios. Certamente faremos ainda mais com as estrelas e com o nossos universo cognoscível, até que conheçamos outros universos. Aí, com todos esses aparatos, com todas essas invenções, com todos esses cérebros pensantes, talvez, finalmente, aprendamos como é que se faz para eleger um bom político, como educar-nos e como desenvolvermos a nós mesmos sem prejudicar a natureza. Afinal não é para isso que serve Big Data?


terça-feira, outubro 09, 2012

Da construção como metáfora

Erigir é uma Arte tão antiga quanto o universo, já que se supõe que ele tenha sido criado por um Deus Criador. Obra de engenharia, ele teria criado e moldado cada partícula para ser como blocos de tijolo de uma Grande Obra, muito maior do que qualquer coisa que a nossa ínfima mente possa perceber.

Decerto Ele utilizou de toda a sua engenharia e conhecimentos infinitos para compor com tanta perfeição tantos sistemas, feitos, em grande parte, de umas 4 ou 5 partículas essenciais que formam 99% de nossos corpos.

Construir portanto não é tarefa simples. Envolve planejar, executar e entregar um projeto que, no fim, não é seu. É portanto ato solidário e, sem dúvida, enriquecedor. Por fim, a metáfora da construção nos leva a imaginar que somos capazes de sermos livres.

Podemos imaginar que a nossa vida é uma série de construções que fazemos, erigindo bloco a bloco as paredes das nossas missões até atingirmos um objetivo final almejado. As muitas ferramentas que usamos no processo ajudam a manter as paredes firmes, levando por fim à segurança.

No começo a construção era um abrigo. Passamos a fazendas, áreas de plantio. tornou-se uma engenharia de ferramentas e armas para enfim construirmos templos e estátuas para homenagear o que não compreendíamos, fruto do pensamento mágico. Encontrávamos explicações até mesmo nos animais para as nossas origens e vimos o homem construir estranhos templos com quatro animais considerados sagrados, a águia, o homem, o leão e o touro. Parecia que construíamos templos para representar a nós mesmos.

No fundo o que fazíamos era isso: medíamos as nossas proporções e colocávamos aquilo nas obras. Fazia sentido tal estrutura e ela se provou possível. Vimos a aplicação da educação na construção e certamente acredita-se que os construtores formaram efetivamente a primeira escola de engenharia da humanidade. E faziam isso não apenas em suas obras, mas aplicavam o que aprendiam em suas vidas, como uma via justa em direção à perfeição e a beleza em todos os aspectos e níveis de compreensão. Usavam a construção como metáfora para tudo e aplicavam isso à sua realidade.

Mas como construir? Há muitas dicas. Há as mais recentes e as muito antigas, todas muito parecidas, na verdade. Se pegarmos Steve Jobs, uma das coisas que ele insistia é que os seus produtos procuravam casar tecnologia e artes liberais. Mas o que ele estava querendo dizer com isso?

Quando você instala um Mac, uma das primeiras fotos que aparece é uma foto que aparenta ser uma galáxia. Poderia ser a nossa, com um grande buraco negro no centro. Essa imagem, padrão em todos os computadores daquela marca, é a marca da astronomia. Em alta resolução, é uma imagem rica em cores e em detalhes. Tudo isso para lembrar que o computador da Apple é ligado intimamente à todas as artes liberais, ainda mais à mais buscadora de todas, a Astronomia. 

E quais são as artes liberais? As três primeiras são Gramática, Retórica e Lógica, o trivium. São artes voltadas ao discurso, à capacidade de articular, o que é importante para a sociedade. Por fim não esqueçamos que Lógica é exatamente o que é usado em todos os computadores para construir softwares dos mais simples aos mais complexos.

Em seguida temos o quadrivium formado por Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Essas são artes de extrema importância. Aritmética, assim como a lógica, é uma das coisas mais importantes que existem e este conhecimento é tão importante que, se fosse suprimido de um país, rapidamente veríamos conflitos e desordem. A aritmética é o que permite o planejamento, o controle de tudo, as contas, a contabilidade. O que seria do mundo sem essa arte? Geometria é essencial ao construtor, que precisa medir o que vai fazer, afinal.

Mas o que dizer da música? Como construir com música? Certamente construção tem ritmo, e é um ritmo de trabalho de intenso. Além de ser intenso, também é confortante. Estudos arqueológicos vem provando que, no antigo Egito, os construtores na verdade já ganhavam pagamento por seus trabalhos. De fato isso é comprovado em textos bíblicos. Mas a música é uma arte liberal importante pois cria noções de harmonia que são essenciais em mecanismos cerebrais para entender o que faz sentido e o que não faz. Há grandes músicos matemáticos no mundo, um dos motivos é que a música tem íntima ligação com a matemática. E é por meio das harmonias que a música faz sentido, ainda que tal estudo seja complexo. Aprender música é libertador porque te permite entender a energia das vibrações diferentes, o que hoje é inclusive teoria da física, a Teoria das Cordas.

A Astronomia dos antigos era também Astrologia. Mas podemos pensar nas duas ciências como uma coisa só. Astronomia é o acompanhamento do lábaro estrelado para identificar diferenças de padrão a partir da movimentação dos astros e chegar a diferentes conclusões. O que ocorre em astrologia é uma forma de levantar padrões de comportamento humano associados a posições do astro no céu. As duas coisas são importantes porque a Astronomia é ciência de investigação de nós mesmos. Ao olharmos para fora, entendemos o que somos, de onde viemos e para onde vamos. Já a Astrologia é arte de conhecer a si mesmo e aos outros. Entendendo como "parece" que as coisas funcionam -- por mais que não funcionem assim de verdade -- permite que racionalizemos as coisas e conheçamos mais nossos impulsos e nossas intenções. A astrologia é, portanto, uma arte de conhecer mais quem somos, autoconhecimento. Por fim esse é o grande segredo por trás desta nobre arte.

Se você chegou até aqui, acredito que está preparado para construir. Aí, caro leitor, é só correr e sorrir: você pode acreditar que está livre! 

Divirta-se.


quinta-feira, setembro 20, 2012

Luz

Quando estava escuro
dentro de mim acendi.
Tudo o que não era puro
esqueci.

Pela humildade e ternura
desenvaideci.
Agora vejo que existe
o que eu nunca vi.

Falei novos idiomas
axiomas antigos entendi,
Só com luz faço somas
para sempre dividir.

Pare as trevas, jogue a Luz
para dentro de si.
Talvez descubra o que traduz
quem você é em seu porvir.

Hoje essa ideia me seduz
é como o Sol, Phi ou Pi.
Apenas quero mais Luz
para aprender com o que vivi.

sábado, setembro 15, 2012

A arte de sonhar

Analice sonhava e tinha ternura. Eram imagens e paisagens verdes enormes, onde vales intermináveis desembocavam em lindos rios e braços de mar. O céu era povoado de estrelas à noite e o sol enviava junto com os seus raios um sorriso convidativo para o dia. A vida, inevitável, cumpria-se da mesma maneira.

Sonhar é uma arte. E se fôssemos todos neurologistas, eu e você, caro leitor, poderíamos até mesmo imaginar -- e imaginar é sonhar acordado -- que há construção de algo nos sonhos ainda incompreensível pela ciência. É como se construíssemos pequenos blocos de possibilidades em nossas mentes e, tais blocos, erigidos com a mente racional enquanto estamos acordados, levam à construção de nosso destino, etapa por etapa, por caminhos às vezes inimagináveis. Mas que, ao mais atento iniciado e ao sábio buscador, sabem afinal ser uma obra construída no plano das ideias.

Idear é preciso. Viver é impreciso. Por isso os sonhos traduzem-se em realidades tão distintas quanto possíveis. Como é o caso do executivo que, sonhador em remar, abriu uma escola de rafting que se especializou em atender executivos. O mundo é cheio de exemplos e você pode até conhecer mais casos desses do que eu. A vida nos leva ao nosso destino quando ele é construído com a devida arte do sonho.

Você dirá:

- Como sonhar? Como lembrar dos sonhos?

Os sonhos são inesquecíveis. O acesso a eles se dá por meio de químicas extremamente interessantes. No entanto é possível acessar essas memórias por meio da meditação, do autoconhecimento, da yoga ou da iniciação. Alguns descobriram que era possível por meio da química, mas tais experiências são deveras perigosas, ainda se desconhece o real poder da mente e o que ela é capaz de fazer. Se não no presente momento da vida do indivíduo, no futuro. As imagens e símbolos que criamos em mente traduzem-se numa estrada cheia de curvas que inevitavelmente teremos que trilhar. Se criamos uma estrada na beira de um abismo, o risco de cair aumenta. Mas se soubermos voar ou andar em linha reta, ou fazer com poucas curvas o caminho, torna-se mais fácil construir a partir do sonho.

Qualquer que seja o seu meio, vá até o fim.

Ariel era um anjo e ele tinha as ordens do Senhor de promover a paz no mundo. A paz poderia ser obtida de duas maneiras. Numa delas, era garantida a comida para todos os povos e todos ficariam tranquilos com as suas farturas. Na outra, era garantida a água para todos, então a sede terminaria e haveria esperança em todos os rincões da Terra. A terceira opção era que não haveria nada para ninguém, todos morreriam, e então haveria paz no mundo. Ariel optou pelos rios e oceanos e garantiu que a água sempre se renovasse por meio das tempestades.

No entanto apenas a água era insuficiente, já que ainda assim faltaria comida para alguns. Ariel sabia que tinha poucas opções, mas o Senhor dotou-o com Sabedoria, e ele decidiu sonhar. Sonhou com um vale onde passava não um rio de água, mas sim um rio de ideias. E esse rio iria sempre fluir de forma a permitir aos homens que novas ideias, como a nova água que sempre passa pelos rios, pudessem lavar e polir as pedras, deixando-as macias e aptas à convivência e à tolerância. Ariel criou a Criatividade para o homem e fez com que ela fosse como um rio de água doce e límpida que pudesse tirar o sal da pedra e levá-lo para o mar.

Nada disso sobre o anjo Ariel é verdade, mas poderia ser. Essa história contem símbolos importantes que traduzem os sentimentos de muitos. E o sonho traduz o sentimento das nossas vidas, traduz aquilo por que sentimos amor. E o amor não é algo facilmente explicável a ponto de conseguirmos colocá-lo em palavras. Um sonho tampouco é facilmente explicável. Ele possui símbolos e imagens que, se soubermos conhecê-las e traduzi-las, seremos capazes de interpretar sonhos. E os sonhos farão parte de nossa vida.

Há aqueles que dizem esquecer os sonhos. A esses recomendo dormir pensando que se quer lembrar dos sonhos. Essa simples instrução induz a memória a aceitar essa proposição e deixar a memória consciente assistir a esse sonho e se manifestar de forma justa. No fim tudo ficará perfeito quando se souber o que se sonha e o que se sonha.

Quando você quiser sonhar, não pense apenas em dormir.

Imagine, crie, você estará sonhando.

Acima de tudo, tenha ternura e manifeste sempre aquele brilho nos olhos de quem está buscando a Verdade e que sempre acredita que irá encontrar um pedacinho dela na próxima esquina, na próxima página, na próxima palavra, no próximo sonho. E inevitavelmente ela virá.

A arte de sonhar é a arte de viver atento ao detalhe, ao sutil, ao verdadeiro. Por isso a criança astronauta sonha com as estrelas e adulta conseguirá tê-las.

Vamos caçar estrelas?



sexta-feira, agosto 24, 2012

Serendipidade

Numa tarde seca, uma suave brisa no rosto pode produzir a serendipidade. A ciência possui muitos casos específicos em que um insight surge do inesperado, por vezes do irresistível aleatório. Do pouco que se espera, muito se tira.

A serendipidade é característica dos buscadores. Ela está presente nas pessoas sem ânsias, sem angústias, na busca de algo mais sincero e preciso. Pela natureza da Verdade, obscurecida pelas trevas e pela simplicidade inerente das coisas, é natural que tais momentos não ocorram em situações de esforço concentrado, e sim em momentos casuais.

Inacessível às mentes humanas, mesmo às mais sinceras, a Verdade muitas vezes aparece traduzida de meia verdade. Meias verdades são quase mentiras que confortam a mente naturalmente ansiosa e desesperada dos buscadores. Nas situações mais diversas da vida, estamos todos trabalhando em busca de grandes verdades, no entanto há aqueles no mundo, que por uma natureza mais questionadora e mais alinhada com a sinceridade a honestidade, entendem que há valor no entendimento do mundo e de si mesmo. E esse valor inestimável, incomensurável e intangível é o que leva, de fato, os buscadores, ao encontro da verdade em momentos inesperados.

No mundo moderno, as recomendações automáticas produzem serendipidade on demand. Por meio da análise de terabytes de dados é possível distinguir algumas verdades sobre as pessoas, sobre os seus comportamentos e sobre as suas conexões. E essas verdades aparecem nas páginas de sugestões de amigos, nos trending topics, nas sugestões dos buscadores quando começamos a procurar por algo. O Google transformou a humanidade em buscadora. E a serendipidade passou a ser algo mais comum, aliás mais do que comum, uma demanda dos indivíduos.

A Amazon gera 30% de sua receita por meio de recomendações de produtos. Ela sabe, como ninguém, produzir a serendipidade sob demanda num mercado de consumo. Por meio do comportamento das pessoas, é possível apreender informações antes ignoradas. Súbito, parece que as máquinas sabem sobre nós mais do que nós mesmos. Na verdade nós é que somos previsíveis, e as recomendações são apenas prova disso.

A meteorologia é uma prova disso. Ciência da observações dos céus, tem em seu nome um componente astrológico. Para Aristóteles, um dos pais da meteorologia, o clima poderia levar a chuvas d'água ou de fogo, daí o nome de meteorologia. Presumia-se que se poderia prever potenciais chuvas de meteoros. Certamente até hoje temos dificuldades em dizer se o céu pode cair sobre as nossas cabeças. No entanto hoje sabemos quanta chuva pode cair sobre nós, em que horas ela pode cair e com que intensidade. No entanto, se você está na rua, a chuva cai e você não está preparado, ela pode fazer você correr e se abrigar numa lanchonete. Nesta lanchonete você pode sentar e pedir um café e ter uma ideia genial observando as pessoas correndo na chuva. Você pode vislumbrar uma nova roupa que repele água, ou ainda em um sapato impermeável, ou quem sabe, simplesmente imaginar um sistema que repele a água eliminando a necessidade de guarda-chuva por meio de eletrostática. Quem sabe?

A palavra serendipidade vem do persa e tem a ver com um conto chamado "Os três príncipes de Serendip". É uma palavra criada nessa lenda dos três príncipes, que tinham a habilidade de encontrar valor em situações e pessoas inesperadas. Ao contar tudo o que havia ocorrido para a sua corte e tudo o que viram no mundo, resolveram celebrar e criar uma palavra para definir o que haviam visto. E chamaram essa palavra de "serendipidade".

Uma das histórias dá conta de um comerciante que estava chorando em frente a uma casa que era, aos poucos, consumida por um rio. Ele se dizia amaldiçoado pelos deuses, mas os príncipes, no entanto, viram de forma diferente e acreditaram que aquilo era uma bênção e que ele deveria encarar dessa maneira. Meses mais tardes, os príncipes retornaram ao local para descobrir que o comerciante havia feito a sua casa no alto de um morro, com vista para o rio que ele tanto amava. Descobriram também que, logo após o seu encontro do príncipe, o comerciante teve um insight em que foi como se o rio tivesse falado para ele construir a casa no alto do morro. Ao começar a construção, diversos operários encontraram pedras preciosas no solo, o que tornou o comerciante ainda mais afortunado. Tudo isso foi um grande exemplo de serendipidade.

Tal atributo não pode ser conquistado sem a devida sabedoria e serenidade de alma. É necessário valorizar o inesperado e aceitá-lo como valioso. Nos dias de hoje isso é quase impossível. A depressão moderna, fruto da angústia e do desejo, nada mais é do que consequência natural de mentes que não sabem aceitar o porvir como intrinsecamente necessário. Trata-se da esperança pelo desespero, enquanto o contrário, o desespero pela esperança, é o grande ensinamento dos sábios. É necessário eliminar expectativas e ser capaz de sentir, apreciar e apreender pedaços da Verdade que nos são passados em momentos únicos.

Da mesma forma que é necessário ouvir para poder apreciar a música, também é necessário viver para vivenciar. O tanto que conseguimos traduzir em valor tangível é mínimo se soubermos dar valor à nossa existência, ao nosso reator nuclear e bioquímico que abrigamos dentro de nós, capaz de transformar-nos em seres capazes de construir foguetes ou resolver complicadas equações. Ou ainda, criar simples equações que resolvem complicados problemas. Seja onde estiver, a serendipidade ainda é a forma com que iremos evoluir as nossas consciências e é o que vai nos levar ao próximo nível de convivência harmônica entre seres e com a natureza. Eis o próximo grande desafio da humanidade inconsequente, que caminha à guerra em vez de caminhar a soluções mais práticas que podem garantir o nosso futuro. Infelizmente, até mesmo do inesperado da guerra pode surgir uma consciência mais sábia. Quem dirá? O que vai acontecer é apenas decisão de nós mesmos hoje, mas decisões mais sábias levariam a acontecimentos mais sábios. Da minha parte, buscarei a serendipidade. Espero que você faça o mesmo.




quinta-feira, agosto 23, 2012

Versos Livres

Eu Sou e quero deixar ser
quem queira ser o que quiser
o tanto que se quiser ser,
para que nunca se perca
a fé.

Você É e continua a existir.
Entre o porvir e o devir, o que vier primeiro,
é melhor manter-se inteiro
antes da hora de
sumir.

Quando deixar de ser sem ser pela morte
você sempre pode se reinventar
como as águias levam as próprias garras à morte
para poder ainda melhor
agarrar.

Seja Livre e entenda por Liberdade
aquilo que o permite fazer o que quiser
para partir em busca da felicidade
onde ela 
estiver

sábado, julho 28, 2012

Onde ando

onde ando
por onde passo
eu faço
Eu Sou
e assim que ando
por certo passo
me refaço
estou
atento ao traço
que desenho
não desdenho
nenhum caminho
todos são iguais
pois onde ando
somos livres.

por onde ando
há quem engane
há quem faça mal
mas sempre haverá
quem anda reto
até o final
no começo,
a cada passo
era um tropeço
hoje eu meço
o espaço
se não me encaixo
padeço
se me atrevo
me calo
pois se falo
não é sábio
nem é débil
é vaidade

por onde ando
percebo
e a luz do mundo
recebo
se inicio
com medo
e sobrevivo
ao desafio
é porque o enredo
desfio
com desapego

o reto andar
expandirá
a consciência
do mundo
singular
restará
na essência
de tudo

por onde ando
eu reparo
e reparo
o caminhar
não para deixar
de errar
mas sim
sonhar e fazer
não é também
o que quer você?
se for
caminhe ao lado