Há na humanidade uma sensação etérea de que estamos vivendo algo que já está programado. Estamos atuando e nossos papéis não são de nosso conhecimento e nem precisam ser. Vamos vivendo e sentindo o tempo de acordo com a nossa fútil percepção sem notar os detalhes intrínsecos das coisas, pois elas não nos são acessíveis.
Vez ou outra recordo-me de uma história que minha avó contava sobre seus sonhos. Eram sonhos premonitórios, bastante lúcidos e precisos. Uma vez sonhara com uma flor branca que caía sobre um túmulo e sua avó, que veio a morrer meses depois, ao ser enterrada uma flor branca que caiu de uma árvore que havia sobre o seu túmulo caiu e completou-lhe a imagem. Era como se aquela imagem estivesse acessível à sua memória por um breve instante. Tempo suficiente para que ela se recordasse e associasse à exata imagem de um acontecimento.
Quando li a Teoria da Relatividade de Einstein, fiz por curiosidade. Não era bem da minha área os meandros da física. No entanto não leio apenas coisas da minha área e recomendo a todos que não se limitem ao conhecimento específico. Tudo é conhecimento e todas as coisas estão interligadas. Não por acaso, Einstein disse que a nossa noção de tempo era uma ilusão, pois que o passado, o presente e o futuro estão no mesmo local nessa dimensão, podendo até mesmo existir outras dimensões com outros acontecimentos.
Apesar de estranha, essa visão que hoje é aceita por muitos cientistas possibilitaria explicar que as pessoas, dentro do universo quântico de suas mentes, poderiam, porventura, ter acesso a imagens do passado ou do futuro por meio de um processo de análise que seria similar ao avançar e retroceder dos aparelhos domésticos que tocam músicas ou mostram filmes. No entanto nada disso poderia explicar o que de fato vim a saber recentemente.
Documentos comprovam a existência de uma secreta organização que seria responsável pela construção do tempo. Na verdade, pelo que soubemos, essa organização existe há muitos séculos. Eles detinham um poder fantástico e seriam capazes de verdadeiros milagres por meio dessa força que haviam descoberto. Em nome dela, construíram a evolução da humanidade num mundo que, se não fosse construído por eles, não haveria vida, posto que a humanidade nunca se desenvolveria a ponto de compreender o seu papel como agente civilizatório do Universo.
O plano era simples: em primeiro lugar era necessário compreender que o tempo era plano como o universo, e que o passado, o presente e o futuro acontece sempre ao mesmo tempo o tempo todo. Com isso era possível construir imagens temporais num tecido especial que, se mergulhado na água do oceano, ao refletir da luz de uma estrela, no caso o Sol, imprimiria nesta dimensão as imagens das principais ações dos planos por eles descritos.
A História, portanto, que sempre poderia ser considerada uma farsa, posto que baseada em documentos que poderiam ser inventados, passaria a ser apenas um joguete de alguns poderosos dispostos a controlar o nosso livre-arbítrio e dirigir a nossa existência nesse planeta. O intuito, no entanto, era o de levar a humanidade a uma era em que todos teriam conhecimento e agiriam de forma a encontrar o equilíbrio, a coexistência e a tolerância, gerando um convívio mais eficaz e permanentemente perfeito. Seria um local onde a Justiça seria desnecessária, posto que a força da Consciência evitaria sequer que se precisasse da Justiça em si. Um ideal de elevada estatura moral, ainda que por meios alheios à nossa capacidade de percepção e de controle.
O que vemos no mundo de hoje é que ainda estamos longe de alcançar tal estágio. No entanto vemos artistas e pessoas sensíveis desenhando, escrevendo, exibindo, lutando e praticando esses princípios, sempre por acreditar que é esse o objetivo final. Esses verdadeiros irmãos de fé, a esses é que hoje poderemos chamar de construtores de destino. E é nesses que ponho a minha esperança e o meu amor. Nos construtores do tempo de que se fala nesse documento não podemos esperar muito. O que fizeram, certamente já aconteceu ou ainda acontecerá. Até lá tentaremos usar o nosso livre-arbítrio para tentar melhorar o plano deles para que tudo isso aconteça ainda antes do prazo.
Este é o nosso anseio. Essa é a nossa vontade.
Sábado, Julho 11, 2009
Os construtores do tempo
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Leo D
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Sábado, Maio 02, 2009
Estante
Brilhante
é o livro dois de minha estante
na prateleira três.
tanto que vou ler outra vez.
acontece que
antes de eu nascer
já liam em mim no que eu veria brilho
mas quanto brilho eu iria ver
se não soubesse ler?
na minha estante
guardo coisa mais rica
que diamante.
depende dos olhos de quem vê
Aliás
quem só vê a estante sem ler
perde o instante do saber
pobre mente desespera
e arduamente erra
por um julgar antecipado
na minha estante não há lugar para injustiças, injusticeiros ou injustiçados
mas há lugar para os humildes e sinceros
que buscam a palavra certa
em qualquer seção
seja matemática ou religião
filosofia ou alemão
sim ou não
talvez
meu diamante
fica ali no livro dois
da prateleira três.
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Leo D
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8:53 PM
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Domingo, Fevereiro 15, 2009
Redesenhe
A vida não tem desenho pronto
não vem acabada
no máximo uns rabiscos
o resto você grava.
Redesenhe com delírios
a realidade sem graça
para que de brilhos
a escuridão se refaça.
Trevas pra que
se foi a Luz
o que o Criador criou
para nós?
Sempre se empenhe
e o que o destino reservar
de surpresas, desatinos
redesenhe tudo
e não se deixe desenhar.
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Leo D
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8:58 PM
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Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
Decerto
Decerto já conhece o acerto
quem conheceu o erro
ou passou perto
Discreto é quem conhece o erro
e põe no acerto
o seu mérito
Dá certo pensar reto em esquadro
que tudo faz sentido
decerto
Dê certo como quem pinta um quadro
da árvore que plantou
e saboreia o fruto
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Leo D
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10:13 PM
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Quinta-feira, Outubro 02, 2008
Cego silêncio
Na câmara escura dos sonhos
usufruo de um cego silêncio
que me eleva a edifícios tamanhos
no curto espaço em que não penso
não sinto, não toco, não falo
e ouço o som do universo intenso
de uma via láctea descendo no ralo
No espaço escuro dos sonhos que tenho
em que usufruo de um silêncio cego
em que não tenho, não vejo e não nego,
mas tudo tenho, pois advenho
da poeira da Terra, da água que é vinho
no sangue que corre, da veia ao verbo:
estou cego no escuro e em silêncio caminho.
Mas se encontramos no meio de tudo
um peito mais cheio, um semblante vazio
como tudo o que se reparte no meio
metade é centeio e metade é vil
Por isso os sonhos traduzem segredos
detonam os medos, fazem-nos sadios
quando olhamos enfim para dentro
em cego silêncio, olhares sem desvios.
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Leo D
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10:25 PM
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Segunda-feira, Setembro 29, 2008
Fruir
Quando você tem certeza de algo, hesite: há o sensato antes do risco. Remanescer é prescindir-se de queixas e antecipar os acertos para pressentir a glória que se manifestará. Desistir é insistir na inércia. Morrer é transcender a matéria, que se renova, e o espírito, que se eleva quando tem misericórdia e busca a Verdade.
À tarde você poderá dizer que não sentiu o dia, ou que não manifestou uma ideia devidamente. A feiura do ócio é pressionada pela bela e real sensação de dever, anteparo das emoções de alhures.
Antes de presumir que de nada a nada lhe levarão essas palavras, aqui lhe afirmo: de nada a nada fez-se o tudo que existe. Certamente que do ócio do nada, nada mesmo poderia germinar. Se você semeia bons frutos, o seu campo terá o aroma de riquezas naturais que houver no solo. Do nada ecoou um grito, e, num suspiro, saiu o Universo que conhecemos e que se expande.
Somos todos feitos do solo, portanto a humildade do que sabe abaixar a cabeça é tão forte quanto a de quem sabe olhar nos olhos: olhar para baixo é olhar para si, um mergulhar em si mesmo. Olhar nos olhos é conhecer a si mesmo a ponto de ver no outro o mesmo sagrado segredo que há em você: a vida.
Se você pratica o olhar atento, sabe que as coisas são feitas de relações intrínsecas a elas mesmas: todos os átomos carregam em si os ecos primordiais do universo. É como se todos nós fôssemos uma grande canção, cujas palavras fizeram a luz e a tudo fazem até hoje. Se o que nos cerca, portanto, é uma música que a tudo dá forma, direção e sentido, sigamos até o fim. E o que nos resta é só o começo.
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Leo D
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Sexta-feira, Agosto 15, 2008
O destino ou a arte de fazer escolhas
Ante as adversidades, pára:
a Guerra espreita, o coração só revigora
quando as forças do instante presente
são maiores que as fraquezas de outrora.
O que dificilmente se percebe, repara:
cada coisa tem suas minúcias, seus detalhes
que aos olhos mais fugazes escapa-lhes
como destes foge a estrada mais clara.
Se lhe estapeiam a cara, se lhe ensurdecem o ouvido
com vozes no estômago ou socos de altos gritos
é porque há muito perderam o sentido,
há tempos deixaram de ser mitos.
Não lhe ofereça a outra face, mas, sim, declare:
uma voz só não tem força, um só golpe não mata,
e o Universo é ímpar, mas a vida é feita aos pares
nos laços que geram o que nem o tempo desata.
Se lhe deram pés, caminhe. Mãos, desenhe
o mapa de sua viagem e trilhe-a até o fim.
Viver em si não mata, não viver é que é desdém:
a escolha certa do destino não se faz assim.
Verdade seja dita e mantida:
o aterro do mal e o eterno agir bem
para que haja a Luz, o Amor e a Vida
para toda a eternidade e além.
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Leo D
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9:42 PM
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