sexta-feira, outubro 03, 2014

Desfazer o Brasil

O Buscador da Verdade, ilustre desconhecido
Partiu. Ou deliberadamente sumiu.
Os nossos partidos estão partidos
Partidos os corações do Brasil.
Restam os cacos de um sonho um dia impresso
De um país feito de gente aleatória
Que escolhe, imprudente, não ter memória
Do que significa Ordem e Progresso.
Gigantes sonhadores no berço da infância:
O lábaro que ostentas estrelado
Anda estupidamente nublado
Pela sua sincera e absurda ignorância
Terra desgovernada pelo colosso impávido
Formado por uma massa de falidos
Inconscientemente comprados
Ou conscientemente sem sentido.
Quando aumentam as trevas e já não se vê mais
As mãos fazem a vez dos olhos e conduzem seguras
O corpo e a alma pelos caminhos da cura
O tempo tudo desfaz.

quarta-feira, outubro 01, 2014

D. Pedro I e os Autocratas

Talvez o que explique a nossa capacidade de adorar populistas seja culpa de D. Pedro I.

Em vez de trabalho, criou invenções políticas, como a independência brasileira, praticamente combinada com o seu pai. Ganhou imensa popularidade e conseguiu deixar no poder a sua influência -- alguns postes e o seu próprio filho -- por muitos anos.

Ele foi uma espécie de Dilma do D. João VI, mas que rapidamente se transformou num Lula.

Ele teve a coragem de deixar o seu "Lulinha" adolescente no lugar dele quando foi embora. Junto com algumas babás-regentes é claro.

O Brasil, por isso mesmo, teve independência, mas continuou cobrando altos impostos para poder funcionar.

A inconfidência mineira, um movimento de independência mais verdadeiro, era para lutar contra o quinto, imposto de 20% que Portugal implantava no Brasil.

Hoje a carga tributária sobre o nosso Produto Interno Bruto é de uns 35%. Mas não se fazem mais Tiradentes como antigamente.

Em vez de trabalhar pelo povo, D. Pedro I promovia mesmo é festas, encontros familiares e da nobreza.

O intenso trabalho de marketing pessoal era a sua especialidade, fazendo o tempo todo a imagem de homem galanteador e poderoso, príncipe de duas coroas, a Brasileira e a Portuguesa -- esta última, com certeza.
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Cooptou quem buscava a independência do Brasil de verdade para tornar isso um projeto da coroa portuguesa.

Mas na primeira oportunidade, traiu muito de seus interlocutores e debandou-se de vez para Portugal deixando aqui seu filho adolescente no lugar.

Com isso, D. Pedro conseguiu adiar em 67 anos a República que deveria ter sido formada em 1822.

Um recorde absoluto, bem distante dos 21 anos dos militares e dos 18 anos de Vargas no poder.

Esperamos que o petismo não dure tanto. Quanto Vargas.

O "Dia do Fico", sua "reeleição", foi na verdade uma inovação política parte de um grande "golpe"

O golpe viria a ser a nossa Independência feita ainda que sem armas, sem sangue, sem guerra. Uma ilusão.

Golpe não tão diferente dos que temos sofrido até hoje de nossa classe política.

Afinal eles fingem que estão cuidando do governo enquanto subtraem do tesouro nacional volumosas quantias para usos pessoais e pragmáticos. Ou "programáticos".

A solução é abandonar esse culto à personalidade tão rasteiro que nos corrói há tantos anos para aceitar uma democracia de verdade, e não uma autocracia disfarçada de democracia.

Autocracia é governar para si mesmo, fingindo que se governa para os outros. Conhece alguém assim?

A nossa história tem tantos exemplos diferentes que é melhor esquecer.

Portanto essa história de votar em indivíduos, em vez de partidos, é uma bobagem. Ninguém muda o mundo sozinho.

Programa de governo de candidato? Outra falácia. Leia o programa do partido. É isso o que eles vão fazer. Programa de governo é puro marketing.

Hoje alguns partidos que estão no controle do Brasil possuem elementos que não merecem a nossa confiança. Votar nessa ou naquela pessoa pensando que essa é a solução é bobagem. Temos que votar numa equipe. Temos que entender quem está com eles para poder votar.

A partir do momento que entendermos com quem estamos andando, seremos mais capazes de compreender quem somos.

terça-feira, setembro 23, 2014

Somem

Preto, vermelho, bege,
marrom e branco:
tenho em mim todas essas cores,
nenhuma delas,
de mim, arranco.

Tenho muito orgulho de ser homem:
quando o tempo,
e todo o resto, passa,
todas as cores
somem.

sexta-feira, setembro 12, 2014

Educação e Política

Não há como fazer reflexão sobre a vida, as coisas e as ideias sem pensar em política.

Política pode se definir como as relações de poder entre os homens.

Também podemos pensar em política como a força que move pessoas a conduzir pessoas.

Por fim, concluímos que, em se tratando de política, sempre haverá autoridades e cidadãos.

Portanto se há política, há um processo de castas se formando.

Ao transformar homens comuns em legisladores, estamos estimulando essas pessoas a legislarem para si.

Não apenas a legislarem para si, como também a acreditar que isso é bom.

Na medida em que o fazem, adquirem o capital que parece lhe permitir a manutenção do poder por meio da propaganda.

Se a política é um negócio, a propaganda é a sua alma.

A propaganda nada mais é do que uma tentativa emocional de manipular a razão em nome de uma causa. Seja a causa um produto, um político, uma ideia ou um ícone.

A informação racional só está disponível a quem possa compreendê-la.

Não são muitos os que conseguem analisar números corretamente. Não são intensos os que conseguem, efetivamente, analisar e provocar discussões a partir desses números. E os que são intensos, colocam argumentos baseados em ideias fracassadas, sem embasamento histórico e sem nenhum número que possa confirmar alguma coisa.

Não se pode governar um pouco desconhecendo os seus números. Não se pode liderar apenas com conjecturas.

No entanto é assim que seguimos adiante.

A solução é mais inteligência, e não menos. Como pode haver mais inteligência se a educação formal não é realmente voltada para a geração de valor?

Como podemos ter um projeto de nação se as nossas universidades não criam empreendedores, e sim profissionais especializados em estudar para concursos estatais?

Por isso o cidadão precisa entender o seu papel de ator político.

O drama está posto à nossa frente.

Aqui falta educação de verdade. E não é o Estado, com mais dinheiro, que vai resolver. Quem vai resolver isso é você.

Sim, porque se você leu esse texto até aqui, você tem curiosidade intelectual suficiente para seguir adiante.

A verdade é que hoje existem muitas opções para se aprender as coisas. Livros, vídeos, aulas gratuitas na internet.

Faltam programadores no mercado. Precisamos de mais.

Faltam pessoas que entendam de estatística. O mundo precisa de mais análise de dados, menos ignorância nas ideias.

Também faltam pessoas a fim de empreender. O Brasil não pode só viver pensando em empregos no Estado, ou em bolsas de auxílio de renda mínima ou básica.

O Brasil precisa de gente que goste de criar valor do ar, do pensamento. Não podemos simplesmente aceitar o nosso destino como nação pensando que as nossas mazelas se devem apenas por causa dos políticos.

Os políticos podem nos atrapalhar, sem dúvida, mas nós não podemos aceitar isso. Temos que seguir adiante, construindo o Brasil que vai de fato ser inovador e criador de valor para o mundo.

Ou você acha que o Brasil só precisa ter carne friboi, soja, aço e Petróleo?

O Brasil não é uma grande mina. O Brasil não é um grande terreno fértil. Ele é isso também, mas é mais. E pode ser mais.

O Brasil, se tivesse de fato a ordem devida e o progresso idealizado, já estaria de fato com um PIB per Capita bem maior do que tem hoje.

E teria, sim, criado mais cidades, tido um processo de urbanização mais intenso e justo com uma economia mais rica e mais geradora de oportunidades.

Falta ao Brasil essa consciência coletiva de que nós somos o mercado e o capital. Não adianta ficar apenas acusando o "capital" de ser isso ou aquilo. Na verdade, ao fazer isso, estamos tirando de nós mesmos a responsabilidade de gerar valor. Capital não é algo externo a nós.

Nós somos o capital. Nós temos o nosso capital. E podemos multiplicá-lo.

Esse é o milagre que Cristo nos ensinou.

Só nos resta compreendê-lo de verdade.

Precisamos distribuir mais riquezas em vez de espalhar só misérias.

segunda-feira, julho 07, 2014

Falta ou Sobra

atrevo-me e travo
comigo
batalhas do
desalento

às vezes eu sei o que
eu tento
e acerto só quando
eu erro

por mais tenaz que seja
o laço
mais fugaz será
o elo

ouso calar-me e quando
me pergunto
percebo que não é preciso
pensar muito

como não é preciso
o pensamento
nem o tijolo
sem cimento

quando você ama
a sua obra
nada lhe falta
ou sobra