sábado, maio 02, 2009

Estante

Brilhante
é o livro dois de minha estante
na prateleira três.
tanto que vou ler outra vez.
acontece que
antes de eu nascer
já liam em mim no que eu veria brilho
mas quanto brilho eu iria ver
se não soubesse ler?
na minha estante
guardo coisa mais rica
que diamante.
depende dos olhos de quem vê
Aliás
quem só vê a estante sem ler
perde o instante do saber
pobre mente desespera
e arduamente erra
por um julgar antecipado
na minha estante não há lugar para injustiças, injusticeiros ou injustiçados
mas há lugar para os humildes e sinceros
que buscam a palavra certa
em qualquer seção
seja matemática ou religião
filosofia ou alemão
sim ou não
talvez
meu diamante
fica ali no livro dois
da prateleira três.

domingo, fevereiro 15, 2009

Redesenhe

A vida não tem desenho pronto
não vem acabada
no máximo uns rabiscos
o resto você grava.

Redesenhe com delírios
a realidade sem graça
para que de brilhos
a escuridão se refaça.

Trevas pra que
se foi a Luz
o que o Criador criou
para nós?

Sempre se empenhe
e o que o destino reservar
de surpresas, desatinos
redesenhe tudo
e não se deixe desenhar.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Decerto

Decerto já conhece o acerto
quem conheceu o erro
ou passou perto

Discreto é quem conhece o erro
e põe no acerto
o seu mérito

Dá certo pensar reto em esquadro
que tudo faz sentido
decerto

Dê certo como quem pinta um quadro
da árvore que plantou
e saboreia o fruto

quinta-feira, outubro 02, 2008

Cego silêncio

Na câmara escura dos sonhos
usufruo de um cego silêncio
que me eleva a edifícios tamanhos
no curto espaço em que não penso
não sinto, não toco, não falo
e ouço o som do universo intenso
de uma via láctea descendo no ralo

No espaço escuro dos sonhos que tenho
em que usufruo de um silêncio cego
em que não tenho, não vejo e não nego,
mas tudo tenho, pois advenho
da poeira da Terra, da água que é vinho
no sangue que corre, da veia ao verbo:
estou cego no escuro e em silêncio caminho.

Mas se encontramos no meio de tudo
um peito mais cheio, um semblante vazio
como tudo o que se reparte no meio
metade é centeio e metade é vil
Por isso os sonhos traduzem segredos
detonam os medos, fazem-nos sadios
quando olhamos enfim para dentro
em cego silêncio, olhares sem desvios.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Fruir

Quando você tem certeza de algo, hesite: há o sensato antes do risco. Remanescer é prescindir-se de queixas e antecipar os acertos para pressentir a glória que se manifestará. Desistir é insistir na inércia. Morrer é transcender a matéria, que se renova, e o espírito, que se eleva quando tem misericórdia e busca a Verdade.

À tarde você poderá dizer que não sentiu o dia, ou que não manifestou uma ideia devidamente. A feiura do ócio é pressionada pela bela e real sensação de dever, anteparo das emoções de alhures.

Antes de presumir que de nada a nada lhe levarão essas palavras, aqui lhe afirmo: de nada a nada fez-se o tudo que existe. Certamente que do ócio do nada, nada mesmo poderia germinar. Se você semeia bons frutos, o seu campo terá o aroma de riquezas naturais que houver no solo. Do nada ecoou um grito, e, num suspiro, saiu o Universo que conhecemos e que se expande.

Somos todos feitos do solo, portanto a humildade do que sabe abaixar a cabeça é tão forte quanto a de quem sabe olhar nos olhos: olhar para baixo é olhar para si, um mergulhar em si mesmo. Olhar nos olhos é conhecer a si mesmo a ponto de ver no outro o mesmo sagrado segredo que há em você: a vida.

Se você pratica o olhar atento, sabe que as coisas são feitas de relações intrínsecas a elas mesmas: todos os átomos carregam em si os ecos primordiais do universo. É como se todos nós fôssemos uma grande canção, cujas palavras fizeram a luz e a tudo fazem até hoje. Se o que nos cerca, portanto, é uma música que a tudo dá forma, direção e sentido, sigamos até o fim. E o que nos resta é só o começo.

sexta-feira, agosto 15, 2008

O destino ou a arte de fazer escolhas

Ante as adversidades, pára:
a Guerra espreita, o coração só revigora
quando as forças do instante presente
são maiores que as fraquezas de outrora.

O que dificilmente se percebe, repara:
cada coisa tem suas minúcias, seus detalhes
que aos olhos mais fugazes escapa-lhes
como destes foge a estrada mais clara.

Se lhe estapeiam a cara, se lhe ensurdecem o ouvido
com vozes no estômago ou socos de altos gritos
é porque há muito perderam o sentido,
há tempos deixaram de ser mitos.

Não lhe ofereça a outra face, mas, sim, declare:
uma voz só não tem força, um só golpe não mata,
e o Universo é ímpar, mas a vida é feita aos pares
nos laços que geram o que nem o tempo desata.

Se lhe deram pés, caminhe. Mãos, desenhe
o mapa de sua viagem e trilhe-a até o fim.
Viver em si não mata, não viver é que é desdém:
a escolha certa do destino não se faz assim.

Verdade seja dita e mantida:
o aterro do mal e o eterno agir bem
para que haja a Luz, o Amor e a Vida
para toda a eternidade e além.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Estratégia

O homem que atinge o domínio da vida, isso é, o domínio de si mesmo, de suas ações e palavras, sabe que construirá o próprio destino. No entanto há de saber também que determinados objetivos só se tornam possíveis se o homem preenche-se de vontade e habilidade para fazer o que quiser.

Remanescem em suas mãos as ferramentas de que precisa para ir na direção certa. Strategos, do grego, significa o Líder do Exército. Na patente do Exército Helênico moderno é o cargo mais alto. Significa de fato o domínio e é o que empresas e pessoas de todas as partes utilizam para criar o seu próprio futuro.

O desenho da obra praticamente a define. Para torná-la um todo sistêmico, é preciso arregimentar hipóteses e definir as métricas do que nos dispusermos a criar, desenhar e fazer. Por vezes fazer é necessário para uma criação. Outras vezes, uma criação pode surgir na mente e tornar-se real sem que a façamos, pois a mente cria oportunidades que vão além de nossa imaginação e controle. Por isso deve-se ter cuidado com o que se pensa!

Usar sabiamente a visão estratégica significa ter os olhos pensando em soluções. Mas também significa que você acredita que aquilo dará certo. Muitas vezes num longo prazo ou até mesmo em prazos ainda maiores e inesperados. Ainda que você não saiba muito bem o que vai acontecer -- ninguém sabe --, seja você mesmo, admita que é divino e saiba que os seus planos darão certo, pois darão.

Mas e os percalços do caminho? Ora, os percalços não podem ser definidores de estratégias. Os que criam estratégias a cada obstáculo certamente não chegarão a lugar algum. Em verdade, não se deve nunca perder o objetivo verdadeiro, pois se criamos estratégias a cada obstáculo a esse objetivo, esqueceremo-nos do essencial.

Os obstáculos podem atrapalhar algumas metas, no entanto não se deve perder nunca a direção. O Leste tem um lado e isso tem um motivo: é o lado em que o Sol nasce. E nessa onda de dias e noites muitas vezes esquecemo-nos de nossas direções. Devemos orientar-nos aos desafios verdadeiros, que são aqueles que valem a pena. E nem tudo vale a pena.

É perder tempo criar estratégias para antigas lutas que já perdemos ou para inimigos que não trazem um verdadeiro propósito. Nós devemos ser os verdadeiros inimigos e amigos de nós mesmos. Pois assim podemos encontrar em nós os defeitos que temos e usá-los contra eles próprios a ponto de melhorarmos!

Efusivas luzes poderão atingir os seus olhos ao perceber que o controle de sua vida está nas suas mãos. A liberdade é algo de que todos dispomos em nossos dias, faltando-nos apenas nas horas de tristeza e frustração, em que nos prendemos em nós que não desatam. O desenlace só se dá quando se possui a alegria e a vontade de atingir o grande objetivo.

São duas grandes estratégias e seis outras menores que compõem um sistema perfeito. Ele é claramente demonstrado por diversas tradições e transcende a nossa compreensão. A primeira estratégia é Amar a Deus. E isso compreende entender que Deus está em tudo, inclusive em nós mesmos, que podemos sentir a essência de sua criação nesse mundo tridimensional que conhecemos. A isso chamamos fé, no que colocamos a nossa esperança. A segunda é amar ao Próximo como se ele fosse você. Isso significa conhecer o divino que há no outro. A isso chamamos de amor, a grande estratégia da natureza.

As outras seis são grandes recomendações. Porque disposto desses dois nobres sentimentos agora conhecidos, falta pouco para montar uma estratégia de sucesso.

A primeira recomendação é a da consciência: ela deve ser escutada. E isso significa saber falar e saber calar. E reconhecer que o que dizemos ou pensamos ecoa no universo. A segunda é a do conhecimento. Conheça a você mesmo e o mundo que o cerca de todas as maneiras possíveis. Aprecie tudo com os cinco sentidos. Assim saberá notar a construção do seu destino com maior apreço. A terceira é a do tempo. Conheça o seu dia e aproveite-o com alegria. Saiba dividir bem o seu tempo para poder construir melhor a sua vida. A quarta é a da retidão. O pensamento correto e a atitude correta transformam o homem e permitem que ele tenha acesso a novas virtudes e novos sentidos, além dos cinco habituais. Além disso, na vida, o caminho da retidão traz, no fim, muito mais resultado do que o caminho incorreto. A quinta é o desenho. Sempre tenha a imagem do que você deseja bem definida, para que aconteça da exata forma que você desenhou. E mantenha os preceitos básicos para que tudo se manifeste com perfeição. E a sexta é a da sabedoria. Desse ponto em diante, o homem é totalmente livre e consegue construir o que quiser.

A sabedoria é um grande instrumento da arte real da construção da vida. Resida em si mesmo com essa vantagem e você poderá fazer de sua vida o que quiser. Tenha ternura e todas as virtudes que encontrar em sua vida. E, em suas estratégias, procure sempre perder muito tempo na busca da Verdade, pois ela não deve nunca ser abandonada. No final a encontraremos no caminho.

Assim seja.