Ocupar-se é estar em estado de movimento, impossibilitado, portanto, de ponderar. Agir é mover, provocar mudança em algo, nem que seja em sua posição. Se você move, você cria. Não importa se é só os dedos e o cérebro. Ao escrever, dificilmente se aprende. O escriba que acompanhava a reunião de Platão com os filósofos gregos e escrevia tudo o que acontecia nas aulas de Sócrates dificilmente aprendia alguma coisa naquele momento. O trabalho de escrever o que acontecia era difícil, o processo era lento. Era um negócio. E desse trabalho, naturalmente, surgiram muitas questões que hoje se colocam na vida das pessoas, ainda que de forma velada ou indistinta. A filosofia, na verdade, é a arte liberal em essência. No entanto é diferente das outras artes e ciências liberais, todas associadas ao movimento. A filosofia está associada única e simplesmente à mente e às inúmeras sensações, experiências e ponderações que ela possui.
A raiz disso está na palavra "Sofia". Reconhecida como "sabedoria", Sofia era para os hebreus Chochmah, e significava algo extremamente sagrado. Chochmah era reconhecida como uma Sephirot no que os antigos estudantes da cabalá definiam como uma dimensão do universo, um fruto da chamada Árvore da Vida, ou Etz Chaim. Esta árvore teria também outros frutos como Binah, a inteligência, Netzach, a Misericórdia e D'aat, um fruto escondido, o Conhecimento. Algo de que voltaremos a falar posteriormente.
A sabedoria, assim como a inteligência, eram os únicos caminhos possíveis que poderiam levar à Kether, que seria a coroa, o topo da árvore, a inteligência suprema. Por isso que Salomão, em seus muitos sacrifícios de animais, em cerimônias de magia cerimonial, teria, um belo dia, tido contato com o Senhor e, nesse dia, o Senhor teria dito que Salomão era justo e que, por isso, poderia pedir o que quisesse. Salomão poderia pedir poder, riqueza, temor dos inimigos, o que quisesse. Mas Salomão, conhecedor dos caminhos divinos, dos ramos da Árvore da Vida, escolhe a Sabedoria. Pois, por meio dela, seria capaz de atingir o domínio da própria vida, seria verdadeiramente livre e, com isso, capaz de agir em meio à sociedade que liderava, o povo judeu. E com isso também conseguiria construir o Templo de Salomão, um lugar divino voltado ao estudo de si mesmo, ao estudo da Sabedoria, a mesma Sabedoria que Salomão pedira ao Divino em suas orações.
Esse caso mostra a importância da filosofia. Ora que philos, em grego, é uma forma de amor, também conhecida por amizade. E a amizade tem muitos nomes, como apreciação, afeto, reconhecimento e outros. Ter um amigo é ter alguém em quem confiar. E o que a filosofia ensina, portanto, é que temos que confiar na sabedoria como resposta às nossas inquisições da alma. Os gregos sabiam disso, em grande parte, por causa de sua religião. A religião grega é baseada em elementos de nossa própria psicologia. Os deuses tinham vida como a nossa, cheia de traições, paixões, medos, angústias e tragédias. Por isso os gregos vieram a desenvolver a filosofia. Já em seu tempo, a filosofia era uma resposta diferente a da religião, porque os filósofos se ocupavam em entender os processos mentais, os sentimentos, as sensações, a matéria, o tempo e o espaço. E todas essas coisas complexas para a filosofia tinham respostas simples na religião que, afinal, não satisfaziam os filósofos. Era preciso pensar em algo a mais que pudesse corresponder aos anseios da humanidade. Por isso confiar na sabedoria foi algo inteligente para a humanidade. A partir dessa disciplina várias outras foram criadas. Os grandes filósofos eram também matemáticos, psicólogos, estudantes da religião, físicos, químicos, engenheiros, arquitetos e, naturalmente, os poderosos, que sempre souberam afinal o que tinha valor nessa vida -- por isso mantiveram e mantêm o poder os que buscam por meio de sabedoria ou inteligência o seu domínio e a liberdade.
Filósofos estoicos como Sêneca e Epiceto diziam que apenas uma pessoa sábia é verdadeiramente livre. Na verdade a pessoas sábia é aquela que saboreia a vida. No português, como em outros idiomas, a palavra Sabedoria vem de sappere, do latim, saborear. No português, o verbo saber é sinônimo de saborear, assim como no espanhol. Portanto os que não provam o amargo não podem saber o que é, não têm a experiência necessária. Portanto é necessário experimentar em nossas vidas para que ela seja plena e para que saibamos o que fazer diante das dificuldades. Pois de nada adianta filosofarmos sobre tudo sem a certeza do que pode vir a acontecer.
No mundo moderno, diante de problemas como a adicção em drogas, por exemplo, a filosofia teria muito a falar. Nos grupos de apoio, uma das coisas que ocorre é o compartilhamento de histórias pessoais, que levam as pessoas a entender onde podem chegar diante dessas situações. Isso é uma troca de informações que levam à sabedoria. Ao saber onde se pode chegar por um vício, pode-se evitar trilhar uma estrada a partir da experiência alheia. Portanto devemos aprender com todos a todo momento.
Mas mais do que com todos, filosofia consiste em aprender com o passado. O passado que nos chega por meio de documentos, livros, textos, músicas e ideias pode nos levar a experimentar novas sensações e a conhecer novas histórias que complementem e ajudem a tomar decisões melhores. Se você conhece Hamlet sabe que se trata de uma tragédia em que muitos morrem. E pode pensar que agir como Hamlet é perigoso e evitará similar tragédia. Não por acaso, as manifestações da arte teatral nasceram da catarse religiosa, da necessidade de se representar antigas lendas para que as pessoas visualizassem como aquilo poderia ter acontecido. A partir desta visualizações, a aprendizagem ocorreria com maior facilidade. Haveria, portanto, um maior entendimento sobre as coisas. A arte é, portanto, uma forma de fazer ocorrer a filosofia.
Os mistérios do nosso subconsciente ainda são um enigma, mas um subconsciente fortalecido de sabedoria pode tomar decisões mais interessantes além de fortalecer a mente de influências externas diretas ao nosso subconsciente. Deveríamos ser mais capazes de perceber as intenções de manipular os nossos sentimentos em noticiários e campanhas publicitárias, evitando, assim a falta de liberdade de agir diante dos impulsos artificialmente criados no subconsciente. A filosofia é resposta e caminho para a liberdade. É uma arte ou ciência libertadora e, diante disso, ficamos estarrecidos com o que somos capazes de acreditar cegamente sem compreender os mecanismos de manipulação de nossas mentes. Portanto é fácil concordar com os estoicos: hoje, mais do que nunca, apenas os sábios podem ser livres para escolher o que é melhor para cada um. E a humanidade, cada vez mais ignorante, caminha na direção contrária da estrada da Sabedoria. Aprimora-se em inteligência em alguns lugares, mas no geral a Sabedoria que deveria governar todas as mentes é ignorada.
Um dos caminhos possíveis para se alcançar a Sabedoria é o Conhecimento. Outro ainda é a Beleza, ou seja, a contemplação da beleza de viver, estágio alcançado por meio da meditação ou da oração. Outro caminho possível é por meio da inteligência, do estudo, do trabalho ativo, da força de vontade. E existe um caminho, o caminho cristão por excelência, que é o caminho da Misericórdia, ou seja, da compaixão, do colocar-se no lugar do outro, do experimentar a tristeza e a alegria alheia e, com isso, obter a sabedoria. Todos os caminhos são viáveis, mas nem todos levam de fato à Sabedoria. Sabedoria é calar-se enquanto o mundo fala palavras desconexas e tentar tirar desse ruído algum sentido. Sabedoria é a justiça e a verdade universal. E sabedoria é também o caminho para o Conhecimento real de nós mesmos. Sobretudo diante de problemas universais.
A escolha de nossas vidas, portanto, deve ser como a escolha de Salomão: a Sabedoria. Ela é capaz de nos guiar para uma melhor viagem e, com isso, levar-nos à liberdade de agir, ou ao domínio de si mesmo. Filosofia, portanto, não é apenas o ócio do tempo de estudos, é, sobretudo, ativamente optar por caminhos mais sábios na vida do que por caminhos mais espinhosos. É uma tarefa excelente, sobremaneira, pois eleva o espírito e faz o homem livre conhecer a liberdade para exercer a sua verdadeira vontade por todo a brevitude de vida que possui.
Gravidade é a atração dos corpos, celestiais ou terrestres. A Gravidade está por toda parte e tem muitos nomes como amor, atração, coesão, união, fraternidade, amizade e decisão. A repulsão, nêmesis da Gravidade, também está por toda parte e, em conjunto, essas duas energias levam ao equilíbrio. Esse blog fala sobre todas as formas de atração e repulsão, a eterna busca pelo fim da ignorância, a consolidação da Luz sobre as Trevas e sobre o amor. Espero que te inspire.
terça-feira, outubro 01, 2013
sábado, agosto 03, 2013
O que deixar para o mundo
O mundo é grande. O tempo é dimensão incerta. O espaço que possuo agora me permite escrever o que cravo nessas letras desengonçadas, entre as ideias encravadas e a criatividade plena, permito-me respirar um pouco antes de colocar em texto rosa como a prosa algo menos poético, menos preguiçoso, por assim dizer, pois o poeta escreve pouco querendo dizer muito depois de viver muito e falar pouco do que viveu, enquanto o romancista vive e escreve na mesma proporção.
Abstrato? Não é onde eu queria chegar. Onde quero chegar é onde todos iremos chegar. A morte. Eficaz. Sagaz. À espreita de todo ser vivente, seja ele a folha da árvore, prestes a se desprender, prestes a se mutilar de tão importante membro na sua produção do alimento. A árvore do outono dispensa no solo a sua necessidade de produzir o açúcar que a alimenta de seiva. E coloca no solo mais nutrientes, que as raízes irão absorver durante o inverno. Tudo isso para na primavera florescer, ciclo infinito de vida-amor-morte das plantas, como se quisessem nos dizer alguma coisa com suas vidas centenárias e imortalidade das sementes.
Somos ignorantes, de fato, diante de todos os propósitos da natureza. E estou falando apenas do nosso planeta, sem ainda considerar o que ignoramos do espaço, com seus planetas longínquos, nebulosas e galáxias distantes. Teoricamente estamos no começo do tubo do nosso universo, dentro dos diversos universos possíveis. Talvez possamos falar em 10 dimensões nas últimas teorias da Física. Dez já é demais, no nosso atual estado pouco podemos compreender da quarta dimensão, o tempo, que dirão das outras 6? A sutileza, afinal, a mesma que enobrece o galanteador e dá péssima moral ao canalha, a mesma sutileza que serve ao bem e ao mal, afinal, é a percepção capaz de notar a verdade nas entrelinhas, nos detalhes. Apenas com um grande conhecimento matemático o ser humano é capaz de conceber outras dimensões, pois elas não são perceptíveis aos seus cinco sentidos. E o tanto que o cara teve que estudar para chegar a isso não foi pouco, com certeza. Subiu no ombro de gigantes.
Deixar para o mundo é uma absoluta certeza. Todos deixaremos algo para o mundo. Desde saudades até ideias, livros, poemas, biografias, trabalhos, realizações, descobertas. Mas como escolher o que deixar? O eremita que desconhece o mundo, que não tem conexões, não deixa saudades, mas pode deixar versos que mudem a história da humanidade. A ideia, afinal, é como diamantes: pode ter muitos donos diferentes, mas continuar sendo valiosa. Você tendo a ideia certa, pode encontrar o que deixar para o mundo antes deixar o mundo.
O que você escolheria? Na antesala do despreparo para a vida que todos enfrentamos, talvez haja lições importantes no preparo para a morte. A morte é solidária: tem para todos. O que importa é o que você vai deixar vivo. E se você deixar vivo o tanto de amor que você tem pelo mundo, o tanto de certeza que há pelo que vem a ser o universo, um tanto de verso perdido, de poesia perdida, de texto transgressor, de histórias de fracassos e sucessos. Deixe para o mundo o tanto de humano que você é e o mundo agradecerá pelo exemplo do que se pode vir a ser.
O autor desse texto escolheu apenas escrevê-lo para você, com a intenção de provocar um medo mórbido, quase ritual, daqueles que os primeiros homens enfrentavam quando iriam caçar animais selvagens, dispondo para tal tarefas de primitivas ferramentas e de um grande sentimento de cagaço protetor. O que deixo para você é um pouco daquele medo antigo, daquele temor desmedido, daquilo que nos faz sentir mais vivos, dos tiros de adrenalina na supra-renal para deixar a espinha reta, pronta para enfrentar uma guerra, se possível. A vida precisa do dever e o dever se faz pela sensação de necessidade de se fazer alguma coisa. Não se faz nada sentado no sofá toda hora. Às vezes é preciso ir para as ruas. Às vezes é preciso votar melhor numa eleição. Às vezes é preciso se candidatar, dar a cândida cara a tapa, ser a vitrine absolutamente preparada para receber as pedras. Quem nunca foi pedra bruta que atire a primeira bruta pedra e, se for assim, ninguém atirará pedra alguma e as construções poderão ser feitas.
Deixar para o mundo consiste em construir. Acima de tudo, construir no seu interior um ambiente em que você possa conviver com você mesmo, sem a necessidade de ficar toda hora se evitando, como se as suas próprias verdades incomodassem as suas próprias mentiras. Assim que você quebra a barreira de mentiras conhecendo melhor a si mesmo, o próximo passo é construir o que você deseja, até ter o que deseja. E quando tiver o que deseja, agradeça. Após agradecer e deixar de desejar aquilo que conquistou, compartilhe. E assim os ciclos vão se fechando e você terá deixado para o mundo um pouco de si.
Se quiser deixar mais, não se esqueça de escrever um livro, plantar uma árvore, criar um bicho, escrever poemas, viver, amar, deitar no chão e olhar para as nuvens para sentir o planeta rodar, entender as estrelas e usá-las para se guiar, e assim por diante. Tome decisões na vida que permitam que você continue conseguindo conviver consigo mesmo. Evite as mentiras e a busca eterna por um prazer atrás do outro, sem gratidão. Todos os caminhos com certeza levam a morte -- alguns mais rápidos do que outros -- mas o mais importante é deixar para o mundo uma história de paixão e gratidão do que de meras paixões irreconciliáveis.
O que você ganha com isso? Se você começar você vai perceber que não é apenas ser uma pessoa carismática, mas sim ter uma consciência ampliada em relação aos homens, à natureza e ao universo. Uma forma de entender isso é justamente olhar para o céu e ver o quanto somos menores do que um grão de areia. O que interessa é onde vamos aportar essa areia, se no mar da perfeição, ou na praia da loucura. De qualquer jeito o que resta é a morte, mas o que você vai deixar vivo? Você mesmo. E quando deixar-se, lembre-se de amar-se. Ao amar-se ao deixar-se terá certeza de que a sua vida não foi uma farsa. As farsas estão condenadas a se repetir na História, assim como as tragédias. Já a alegria, a felicidade, infelizmente essa não se repete. Mas se você puder ser feliz, compartilhar essa felicidade e repeti-la, então a sua vida terá valido a pena e você terá deixado para o mundo sementes de felicidade que deverão florescer em alguma primavera.
Abstrato? Não é onde eu queria chegar. Onde quero chegar é onde todos iremos chegar. A morte. Eficaz. Sagaz. À espreita de todo ser vivente, seja ele a folha da árvore, prestes a se desprender, prestes a se mutilar de tão importante membro na sua produção do alimento. A árvore do outono dispensa no solo a sua necessidade de produzir o açúcar que a alimenta de seiva. E coloca no solo mais nutrientes, que as raízes irão absorver durante o inverno. Tudo isso para na primavera florescer, ciclo infinito de vida-amor-morte das plantas, como se quisessem nos dizer alguma coisa com suas vidas centenárias e imortalidade das sementes.
Somos ignorantes, de fato, diante de todos os propósitos da natureza. E estou falando apenas do nosso planeta, sem ainda considerar o que ignoramos do espaço, com seus planetas longínquos, nebulosas e galáxias distantes. Teoricamente estamos no começo do tubo do nosso universo, dentro dos diversos universos possíveis. Talvez possamos falar em 10 dimensões nas últimas teorias da Física. Dez já é demais, no nosso atual estado pouco podemos compreender da quarta dimensão, o tempo, que dirão das outras 6? A sutileza, afinal, a mesma que enobrece o galanteador e dá péssima moral ao canalha, a mesma sutileza que serve ao bem e ao mal, afinal, é a percepção capaz de notar a verdade nas entrelinhas, nos detalhes. Apenas com um grande conhecimento matemático o ser humano é capaz de conceber outras dimensões, pois elas não são perceptíveis aos seus cinco sentidos. E o tanto que o cara teve que estudar para chegar a isso não foi pouco, com certeza. Subiu no ombro de gigantes.
Deixar para o mundo é uma absoluta certeza. Todos deixaremos algo para o mundo. Desde saudades até ideias, livros, poemas, biografias, trabalhos, realizações, descobertas. Mas como escolher o que deixar? O eremita que desconhece o mundo, que não tem conexões, não deixa saudades, mas pode deixar versos que mudem a história da humanidade. A ideia, afinal, é como diamantes: pode ter muitos donos diferentes, mas continuar sendo valiosa. Você tendo a ideia certa, pode encontrar o que deixar para o mundo antes deixar o mundo.
O que você escolheria? Na antesala do despreparo para a vida que todos enfrentamos, talvez haja lições importantes no preparo para a morte. A morte é solidária: tem para todos. O que importa é o que você vai deixar vivo. E se você deixar vivo o tanto de amor que você tem pelo mundo, o tanto de certeza que há pelo que vem a ser o universo, um tanto de verso perdido, de poesia perdida, de texto transgressor, de histórias de fracassos e sucessos. Deixe para o mundo o tanto de humano que você é e o mundo agradecerá pelo exemplo do que se pode vir a ser.
O autor desse texto escolheu apenas escrevê-lo para você, com a intenção de provocar um medo mórbido, quase ritual, daqueles que os primeiros homens enfrentavam quando iriam caçar animais selvagens, dispondo para tal tarefas de primitivas ferramentas e de um grande sentimento de cagaço protetor. O que deixo para você é um pouco daquele medo antigo, daquele temor desmedido, daquilo que nos faz sentir mais vivos, dos tiros de adrenalina na supra-renal para deixar a espinha reta, pronta para enfrentar uma guerra, se possível. A vida precisa do dever e o dever se faz pela sensação de necessidade de se fazer alguma coisa. Não se faz nada sentado no sofá toda hora. Às vezes é preciso ir para as ruas. Às vezes é preciso votar melhor numa eleição. Às vezes é preciso se candidatar, dar a cândida cara a tapa, ser a vitrine absolutamente preparada para receber as pedras. Quem nunca foi pedra bruta que atire a primeira bruta pedra e, se for assim, ninguém atirará pedra alguma e as construções poderão ser feitas.
Deixar para o mundo consiste em construir. Acima de tudo, construir no seu interior um ambiente em que você possa conviver com você mesmo, sem a necessidade de ficar toda hora se evitando, como se as suas próprias verdades incomodassem as suas próprias mentiras. Assim que você quebra a barreira de mentiras conhecendo melhor a si mesmo, o próximo passo é construir o que você deseja, até ter o que deseja. E quando tiver o que deseja, agradeça. Após agradecer e deixar de desejar aquilo que conquistou, compartilhe. E assim os ciclos vão se fechando e você terá deixado para o mundo um pouco de si.
Se quiser deixar mais, não se esqueça de escrever um livro, plantar uma árvore, criar um bicho, escrever poemas, viver, amar, deitar no chão e olhar para as nuvens para sentir o planeta rodar, entender as estrelas e usá-las para se guiar, e assim por diante. Tome decisões na vida que permitam que você continue conseguindo conviver consigo mesmo. Evite as mentiras e a busca eterna por um prazer atrás do outro, sem gratidão. Todos os caminhos com certeza levam a morte -- alguns mais rápidos do que outros -- mas o mais importante é deixar para o mundo uma história de paixão e gratidão do que de meras paixões irreconciliáveis.
O que você ganha com isso? Se você começar você vai perceber que não é apenas ser uma pessoa carismática, mas sim ter uma consciência ampliada em relação aos homens, à natureza e ao universo. Uma forma de entender isso é justamente olhar para o céu e ver o quanto somos menores do que um grão de areia. O que interessa é onde vamos aportar essa areia, se no mar da perfeição, ou na praia da loucura. De qualquer jeito o que resta é a morte, mas o que você vai deixar vivo? Você mesmo. E quando deixar-se, lembre-se de amar-se. Ao amar-se ao deixar-se terá certeza de que a sua vida não foi uma farsa. As farsas estão condenadas a se repetir na História, assim como as tragédias. Já a alegria, a felicidade, infelizmente essa não se repete. Mas se você puder ser feliz, compartilhar essa felicidade e repeti-la, então a sua vida terá valido a pena e você terá deixado para o mundo sementes de felicidade que deverão florescer em alguma primavera.
quarta-feira, julho 24, 2013
O Fogo Simbólico
O Fogo Simbólico
queima o castelo de cartas
chove faísca e demole
implode, explode,
Bum!
O cinzel, quando luta,
Não resta lasca sobre a pedra bruta.
Os que temem
o Fogo Simbólico
criam brigadas de incêndio simbólicas
e acabam com qualquer chance de queimar
o que há de ruim, de imperfeito.
Falta um pouco de reinventar-se
e um muito de catarse
para no fim tornar-se
algo que ele nem sabe o que é.
Sempre querendo mais do mesmo
sempre mais matéria, e mais, yeah,
e pouca ou nenhuma
fé.
Já os que sabem
e saboreiam a Verdade
acendem os Pavios Simbólicos,
atiram em si o combustível,
e não têm medo de se reinventar.
Das próprias cinzas, das próprias misérias,
queimam os vícios em virtudes,
tornam deserto em açude,
jogam ideias ao ar.
Fazem novas poesias, sem rima ou métrica,
sem estética, até parece que estão se queimando,
mas no fim sempre acabam brilhando
muitos degraus
acima.
queima o castelo de cartas
chove faísca e demole
implode, explode,
Bum!
O cinzel, quando luta,
Não resta lasca sobre a pedra bruta.
Os que temem
o Fogo Simbólico
criam brigadas de incêndio simbólicas
e acabam com qualquer chance de queimar
o que há de ruim, de imperfeito.
Falta um pouco de reinventar-se
e um muito de catarse
para no fim tornar-se
algo que ele nem sabe o que é.
Sempre querendo mais do mesmo
sempre mais matéria, e mais, yeah,
e pouca ou nenhuma
fé.
Já os que sabem
e saboreiam a Verdade
acendem os Pavios Simbólicos,
atiram em si o combustível,
e não têm medo de se reinventar.
Das próprias cinzas, das próprias misérias,
queimam os vícios em virtudes,
tornam deserto em açude,
jogam ideias ao ar.
Fazem novas poesias, sem rima ou métrica,
sem estética, até parece que estão se queimando,
mas no fim sempre acabam brilhando
muitos degraus
acima.
quinta-feira, junho 27, 2013
Súbita consciência
o indivíduo na singularidade
atinge a consciência
sem saber saborear a verdade
estupefeito de pura insciência
atreve-se a andar sozinho
a pensar em outras escalas
nunca mais se esconderá no ninho
nem deixará as suas mãos atadas
com liberdade, por virtude
e honra, por princípio
viverá tudo com atitude
sem se atirar do precipício
a verdade saboreará
quanto mais dela conhecer
não se pode parar
não se para de acontecer
quando o tempo cessar
não irá deixar de ver
tudo o que há pelo ar
é tudo o que há em você
as verdades maiores
não cabem em olhos pequenos
não importa o tanto que chores
fé a mais ou ao menos
assim amar é melhor
do que tentar entendê-las
viemos todos do pó
como pedaços de estrelas
atinge a consciência
sem saber saborear a verdade
estupefeito de pura insciência
atreve-se a andar sozinho
a pensar em outras escalas
nunca mais se esconderá no ninho
nem deixará as suas mãos atadas
com liberdade, por virtude
e honra, por princípio
viverá tudo com atitude
sem se atirar do precipício
a verdade saboreará
quanto mais dela conhecer
não se pode parar
não se para de acontecer
quando o tempo cessar
não irá deixar de ver
tudo o que há pelo ar
é tudo o que há em você
as verdades maiores
não cabem em olhos pequenos
não importa o tanto que chores
fé a mais ou ao menos
assim amar é melhor
do que tentar entendê-las
viemos todos do pó
como pedaços de estrelas
quinta-feira, maio 09, 2013
A Lei
O horror, o medo e a angústia eram visíveis em seus olhos. Temia o andor, o caminho incerto, o destino sem sentido de uma vida curta. Buscava, em seus noventa e cinco anos, uma memória clara, um sentido, uma única lei. Jurista, passou a vida entre os livros e conhecia bem as leis. Mas havia aprendido um dia, não se sabe em que lugar, sobre uma única lei. A lei que fazia sentido. E queria escrever sobre ela. No entanto a memória escapava-lhe como um joguete.
Ao passo que o destino traz saborosas surpresas -- como a maçã de Newton ou o elefante de pelúcia do filho de Doug Cutting -- o sábio e velho homem teve um momento lancinante. De sobressalto, percebeu que lembrara. A lembrança lhe causou uma imensa vontade de escrever sobre a lei e falar sobre ela. Deixar um derradeiro derramar de letras antes que a hora dobre em triste e tardo toque. E pôs-se a cifrar no ar e correr a buscar um bloco de notas, qualquer coisa que lhe servisse naquele momento.
O impulso de andar levou a alma para cima e sentiu-se jovem novamente. Era como se a missão tivesse de ser cumprida. E sua mulher, receosa das peripécias do idoso marido, preocupou-se com os seus anseios e se aproximou rápido o suficiente para ver que o seu marido tropeçar no ar, mãos, canetas e papel ao vento. E estatelou-se no chão.
Ele não se lembra muito bem do que aconteceu depois. Talvez achasse estranho, mas partiu para uma casa muito bonita em um lugar especial, parecido com o lugar que ele sempre sonhara. O desejo realizado? Mas se encontrava só. E ao olhar para um lago próximo, notou na água que podia ver a sua esposa chorando e amando, velando por sua morte. Num terno desespero, lembrou sobre a lei principal, a verdadeira lei: o Amor. O amor, que preenche de atração as moléculas da vida, química e alquimia do mistério do universo: o que decide o que se atrai e o que separa? O que escolhe onde vai estar o vazio ou as estrelas? O que atrai as galáxias, senão uma força de atração que deixa a tudo junto e que ao mesmo tempo repulsa, criando a órbita e a eterna dança das estrelas. Eis a Lei mais antiga que se conhece, pois é fruto de uma divina metáfora: só o amor é capaz de gerar o novo. A lei?
O amor sob vontade e inteligência.
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
Ideias ao vento
pavimento a ideia
e a estrada aparece
ideia boa cresce
persigo a ideia
e a estrada floresce
caminhar esclarece
uma ideia foge
outra acontece
e outra ainda padece
três cabeças têm
mais ideias que uma
um que faz se arruma
ideia solta sem dono
pode virar ouro
ou puro abandono
tive uma ideia
virou poema com o tempo
joguei a ideia ao vento
quarta-feira, dezembro 26, 2012
Consciência
Num horizonte de eventos magistral e belo nasceu o universo. Uma explosão de átomos permitiu que a singularidade, até então existente, isolada em sua cápsula atemporal, criasse afinal o universo. Foram prótons, elétrons, fótons para todos os lados e tudo isso foi interagindo, naturalmente gerando novos átomos e moléculas complexas. Eventualmente da união dessas complexas moléculas a vida pode ter surgido aqui e ali. Mas em poucas almas surgiu de fato a consciência.
É diferente você ouvir falar de aquecimento global e sentir o verão de 2012 e 2013, com o sol emitindo mais microondas do que nunca. É bem diferente pensar no derretimento de calotas e vermos vídeos do gelo se derretendo à nossa frente. A consciência nos leva a crer que muitas mudanças estão em curso. O ego, no entanto, rápido, voraz, consumidor do tempo por meio da metáfora do dinheiro, ainda não é capaz de conceber os planos da natureza para daqui a 10, 15 anos. Ou menos.
Fato é que a complexidade absoluta de processos químicos e físicos acabou por gerar vida consciente e curiosa do que lhe ocorre ao redor. Primeiro nos protegemos de animais selvagens e entãõ partirmos para nos protegermos de asteróides, bombas nucleares, tempestades solares, tempestades terrestres e dilúvios universais. Alguns preparam-se até para a invasão de alienígenas. Poucos se preparam para a Verdade.
A Verdade, o único objeto e objetivo da consciência, é o que mais assusta. E, por assustar, é o que mais ignoramos. É verdade que centenas de milhares de pessoas morrem de câncer por fumarem tabaco, ou de diabetes e doenças coronárias por consumir carboidratos e gorduras demais. Mas essas tragédias não ocorrem no mesmo lugar. Só tomamos consciência delas quando viram estatística, aí assustam. Talvez seja tarde demais, e o susto é tão grande que acabamos por ignorar o fato verdadeiro à nossa frente. Preferimos lugar contra homicídios ou doenças contagiosas que, acreditamos, são tragédias maiores. Acontece que, na Verdade, tragédia não tem tamanho. É sempre gigante. E não importa se é uma tragédia de poucos segundos ou uma tragédia de anos. Tragédia é atemporal. A consciência humana ainda não percebeu isso porque, como eu disse, a Verdade assusta.
De verdade não ocorreu absolutamente nada de diferente no dia 21/12/2012. Bem, Jesus já havia dito que ninguém saberia a hora. Mas mesmo que ele não dissesse, era de se esperar que nada iria ocorrer. As tragédias são atemporais. É o gato que sobe no telhado do gelo que derrete nos pólos. São as temperaturas, cada vez mais altas, anunciando que algo está acontecendo. É o Sol, com suas labaredas, queimando mais do que jamais queimou nos últimos 100 anos. E é também as mudanças no planeta ocorrendo devido à alteração da dinâmica dos gases na nossa atmosfera. São condições anormais de temperatura e pressão a que estaremos sujeitos. E essas tragédias podem levar até 20 anos, mas se inevitavelmente ocorrerem, veremos, de verdade, muita gente ignorando esse fato. Porque a consciência, que objetiva a verdade, ainda não está preparada para aceitá-la de fato.
Ocorre que, com o passar do tempo, o limiar dos anos, a consciência vai sendo apurada pelo que chamamos de "Sabedoria", algo que adquirimos sabe-se lá de quantas maneiras diferentes. Esta consciência mais apurada consegue prestar atenção aos detalhes e reconhecer o ponto de mutação, o ponto de equilíbrio, e a partir dessa energia cinética e sinestésica, acabam por elaborar novos caminhos, ideias, soluções e evoluções para a nossa vida.
Associam-se a isso instintos como o de sobrevivência e o de proteção, abastecendo a nossa consciência do estímulo necessário para que ela possa absorver, até mesmo inconscientemente, os símbolos necessários para a transformação das sombras em luz, das trevas em amplitude e controle emocional, capazes de gerar o impulso criativo necessário para permitir a sustentação do mundo.
E você pode inclusive ir além e desenvolver a sua consciência para ter uma maior percepção da realidade. Isso é possível com retidão moral, meditação e vontade de criar novas sinapses continuamente. É uma musculação da consciência, capaz de levar você a incríveis habilidades criativas e de comunicação. Você poderá ter consciência da realidade das coisas e poderá ajudar a melhorar o mundo e garantir a sobrevivência da humanidade. Tudo isso porque a nossa consciência está em constante mutação e melhoria. Portanto iremos melhorar no final, em conjunto com a natureza. Ainda vamos aprender como.
É diferente você ouvir falar de aquecimento global e sentir o verão de 2012 e 2013, com o sol emitindo mais microondas do que nunca. É bem diferente pensar no derretimento de calotas e vermos vídeos do gelo se derretendo à nossa frente. A consciência nos leva a crer que muitas mudanças estão em curso. O ego, no entanto, rápido, voraz, consumidor do tempo por meio da metáfora do dinheiro, ainda não é capaz de conceber os planos da natureza para daqui a 10, 15 anos. Ou menos.
Fato é que a complexidade absoluta de processos químicos e físicos acabou por gerar vida consciente e curiosa do que lhe ocorre ao redor. Primeiro nos protegemos de animais selvagens e entãõ partirmos para nos protegermos de asteróides, bombas nucleares, tempestades solares, tempestades terrestres e dilúvios universais. Alguns preparam-se até para a invasão de alienígenas. Poucos se preparam para a Verdade.
A Verdade, o único objeto e objetivo da consciência, é o que mais assusta. E, por assustar, é o que mais ignoramos. É verdade que centenas de milhares de pessoas morrem de câncer por fumarem tabaco, ou de diabetes e doenças coronárias por consumir carboidratos e gorduras demais. Mas essas tragédias não ocorrem no mesmo lugar. Só tomamos consciência delas quando viram estatística, aí assustam. Talvez seja tarde demais, e o susto é tão grande que acabamos por ignorar o fato verdadeiro à nossa frente. Preferimos lugar contra homicídios ou doenças contagiosas que, acreditamos, são tragédias maiores. Acontece que, na Verdade, tragédia não tem tamanho. É sempre gigante. E não importa se é uma tragédia de poucos segundos ou uma tragédia de anos. Tragédia é atemporal. A consciência humana ainda não percebeu isso porque, como eu disse, a Verdade assusta.
De verdade não ocorreu absolutamente nada de diferente no dia 21/12/2012. Bem, Jesus já havia dito que ninguém saberia a hora. Mas mesmo que ele não dissesse, era de se esperar que nada iria ocorrer. As tragédias são atemporais. É o gato que sobe no telhado do gelo que derrete nos pólos. São as temperaturas, cada vez mais altas, anunciando que algo está acontecendo. É o Sol, com suas labaredas, queimando mais do que jamais queimou nos últimos 100 anos. E é também as mudanças no planeta ocorrendo devido à alteração da dinâmica dos gases na nossa atmosfera. São condições anormais de temperatura e pressão a que estaremos sujeitos. E essas tragédias podem levar até 20 anos, mas se inevitavelmente ocorrerem, veremos, de verdade, muita gente ignorando esse fato. Porque a consciência, que objetiva a verdade, ainda não está preparada para aceitá-la de fato.
Ocorre que, com o passar do tempo, o limiar dos anos, a consciência vai sendo apurada pelo que chamamos de "Sabedoria", algo que adquirimos sabe-se lá de quantas maneiras diferentes. Esta consciência mais apurada consegue prestar atenção aos detalhes e reconhecer o ponto de mutação, o ponto de equilíbrio, e a partir dessa energia cinética e sinestésica, acabam por elaborar novos caminhos, ideias, soluções e evoluções para a nossa vida.
Associam-se a isso instintos como o de sobrevivência e o de proteção, abastecendo a nossa consciência do estímulo necessário para que ela possa absorver, até mesmo inconscientemente, os símbolos necessários para a transformação das sombras em luz, das trevas em amplitude e controle emocional, capazes de gerar o impulso criativo necessário para permitir a sustentação do mundo.
E você pode inclusive ir além e desenvolver a sua consciência para ter uma maior percepção da realidade. Isso é possível com retidão moral, meditação e vontade de criar novas sinapses continuamente. É uma musculação da consciência, capaz de levar você a incríveis habilidades criativas e de comunicação. Você poderá ter consciência da realidade das coisas e poderá ajudar a melhorar o mundo e garantir a sobrevivência da humanidade. Tudo isso porque a nossa consciência está em constante mutação e melhoria. Portanto iremos melhorar no final, em conjunto com a natureza. Ainda vamos aprender como.
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